Visita do Embaixador do Nepal à Embaixada do Autistão: por que uma abordagem humana e acessível do autismo pode ser especialmente relevante para o Nepal

Brasília, 26 de maio de 2026. A Embaixada do Autistão em Brasília teve a honra de receber Sua Excelência Nirmal Raj Kafle, Embaixador do Nepal no Brasil, acompanhado pelo Sr. Tejendra Regmi, diplomata da Embaixada do Nepal em Brasília, para uma apresentação detalhada da abordagem não defectológica da Organização Diplomática do Autistão sobre o autismo e sobre a possibilidade de um futuro diálogo com as autoridades competentes no Nepal.

Esta visita teve uma importância particular para a Organização Diplomática do Autistão, que desejava há muito tempo receber representantes da Embaixada do Nepal na Embaixada do Autistão em Brasília, a fim de abrir um diálogo humano, institucional e útil em torno do autismo, das necessidades reais das pessoas autistas e da possível contribuição da Organização para o desenvolvimento de políticas públicas relativas ao autismo no Nepal.

Uma das principais ideias que a Organização Diplomática do Autistão procurou apresentar durante essa reunião foi que sua abordagem pode ser particularmente bem adaptada às realidades e qualidades próprias do Nepal. Muitas famílias nepalesas podem ter recursos financeiros ou materiais limitados, e o acesso a serviços especializados urbanos pode ser difícil, caro ou cansativo por causa das distâncias, das estradas e dos transportes. Por isso, seria especialmente importante não aprisionar a política do autismo em modelos importados, caros, centralizados ou “prontos”, que exigem deslocamentos repetidos, sistemas profissionalizados e tentativas de fazer as pessoas autistas se conformarem. A Organização procurou mostrar uma possível convergência entre o capital humano do Nepal — gentileza, paciência, inteligência sutil, atenção aos outros, serviabilidade e delicadeza — e uma abordagem baseada na acessibilidade, na adaptação social, na compreensão correta e na redução das barreiras atitudinais, mais do que no dinheiro, na força, no poder institucional ou na normalização.

A reunião ocorreu na Embaixada do Autistão em Brasília, em um espaço de recepção especialmente preparado para esta visita, com a presença da bandeira do Nepal, da placa da Embassy of Autistan / Embaixada do Autistão, das pequenas bandeiras de mesa do Autistão e do Nepal, e de uma estrutura de tela para a apresentação.

Ouvir a apresentação

O espaço de recepção da Embaixada do Autistão em Brasília, preparado para a visita.

O espaço de recepção da Embaixada do Autistão em Brasília, preparado para a visita.

1. Uma primeira visita oficial em um ambiente simbólico e humano

A localização da Embaixada do Autistão em Brasília, próxima aos ministérios, ao Congresso Nacional e a outras instituições públicas brasileiras, é coerente com a finalidade da Organização Diplomática do Autistão: desenvolver o diálogo com autoridades públicas e instituições, a fim de fornecer explicações, análises e propostas precisas sobre o autismo e as necessidades reais das pessoas autistas.

A recepção foi preparada em um espírito ao mesmo tempo diplomático e humano, a fim de criar um verdadeiro contato humano, além de uma reunião formal.

Antes da apresentação principal, houve também uma breve conversa remota com o Sr. Shree Ram Dangal, que participou a partir do Nepal. Ele cumprimentou o Embaixador e os participantes e expressou seu encorajamento para a reunião. O representante da Organização Diplomática do Autistão lembrou a importância de Shree Ram no caminho que tornou possível esta relação com o Nepal, e o agradeceu calorosamente.

Sua Excelência Nirmal Raj Kafle, Embaixador do Nepal no Brasil.

Sua Excelência Nirmal Raj Kafle, Embaixador do Nepal no Brasil.

A delegação nepalesa na Embaixada do Autistão.

A delegação nepalesa na Embaixada do Autistão.

Uma breve conversa remota com o Sr. Shree Ram Dangal, participando a partir do Nepal, antes da apresentação principal.

Uma breve conversa remota com o Sr. Shree Ram Dangal, participando a partir do Nepal, antes da apresentação principal.

Um momento durante a visita à Embaixada do Autistão em Brasília.

S.E. Nirmal Raj Kafle, Embaixador do Nepal no Brasil, durante sua visita à Embaixada do Autistão em Brasília.

Um momento cordial durante a visita.

O Embaixador do Nepal falando com Shree Ram Dangal.

2. Uma apresentação preparada para o Embaixador do Nepal

O representante da Organização Diplomática do Autistão havia preparado uma apresentação especialmente para Sua Excelência o Embaixador do Nepal. A apresentação tinha o título:

Apresentação de abertura a Sua Excelência o Embaixador do Nepal — Embaixada do Autistão em Brasília — 26 de maio de 2026

Ouça a apresentação

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

Télécharger [207.96 KB]

A apresentação foi preparada como um texto lido em voz alta e exibido na tela. Sua finalidade era explicar por que o Nepal pode ter uma oportunidade especial em relação ao autismo, e como a Embaixada do Nepal poderia ajudar a criar um diálogo útil e concreto com as autoridades competentes em Katmandu.

A Organização esclareceu que não estava pedindo à Embaixada do Nepal que se tornasse especializada em autismo. Pelo contrário, esperava que a Embaixada pudesse desempenhar o papel de uma ponte humana e institucional, ajudando as autoridades nepalesas a compreender que um diálogo com a Organização Diplomática do Autistão poderia ser útil para o próprio trabalho delas.

A apresentação em andamento na Embaixada do Autistão.

A apresentação em andamento na Embaixada do Autistão.

3. Por que o momento atual pode ser importante para o Nepal

A Organização Diplomática do Autistão explicou que o momento parece especialmente importante porque o Nepal parece estar em uma fase de preparação de textos, estruturas e projetos relacionados ao autismo.

Segundo informações públicas encontradas antes da reunião, um projeto de National Autism Guideline parece ter sido preparado ou submetido ao Ministério da Saúde e da População do Nepal. Também foi mencionado que o governo havia anunciado escolas-modelo relacionadas ao autismo nas sete províncias, e que um comitê técnico teria sido formado para trabalhar sobre o conceito e a estrutura dessas escolas.

Esses elementos sugerem que o Nepal não está apenas em uma fase abstrata ou teórica. Textos, estruturas e modelos parecem estar em preparação ou em discussão. Isso torna o momento particularmente importante, porque os primeiros conceitos, as primeiras palavras e as primeiras escolhas práticas podem orientar toda uma política pública durante muitos anos.

Se o quadro inicial reduzir o autismo aos transtornos, aos tratamentos, aos serviços especializados ou à normalização, poderá ser muito mais difícil corrigir essa orientação depois. Mas se o quadro inicial for baseado na acessibilidade, na consideração correta do autismo, na aceitação das pessoas autistas e do próprio autismo, e no respeito à natureza autística, então o Nepal poderá construir sua política de autismo sobre bases mais justas, mais simples, mais humanas e mais úteis.

Também é por isso que a Organização insistiu que o Nepal não deveria ser obrigado a copiar modelos caros e centralizados, que podem ser difíceis para muitas famílias e pouco adaptados às realidades locais. O momento atual pode permitir ao Nepal escolher uma orientação mais acessível desde o início, aproveitando seus próprios recursos humanos em vez de depender principalmente de estruturas pesadas, urbanas e custosas.

Foi por isso que a Organização Diplomática do Autistão considerou importante apresentar sua abordagem nesta etapa, antes que as principais orientações fiquem demasiado fixadas.

4. A distinção fundamental entre autismo e TEA

O primeiro ponto conceitual central apresentado ao Embaixador foi a distinção entre o autismo em si e os transtornos ou dificuldades específicos ao autismo, frequentemente chamados TEA ou ASD.

A Organização explicou que, quase em todos os lugares, as palavras “autismo” e “TEA” são usadas como se significassem a mesma coisa. Essa confusão tem consequências muito graves. Se o autismo em si é reduzido aos transtornos, então o autismo é automaticamente tratado como um defeito, uma doença, uma condição incapacitante em si mesma ou uma inferioridade.

Essa confusão também torna incoerente falar de “qualidades autísticas”. Se o autismo fosse apenas um transtorno, falar das qualidades do autismo significaria falar das qualidades de um transtorno, o que não faz sentido. No entanto, as qualidades autísticas existem. Isso mostra que o autismo em si não pode ser reduzido a um transtorno, a uma patologia ou a um defeito.

A Organização insistiu que essa distinção não nega a existência de dificuldades. As pessoas autistas podem ter necessidades reais de apoio, necessidades reais de aprendizagem e, às vezes, dificuldades significativas. Mas essas dificuldades não devem ser confundidas com o autismo em si.

Em outras palavras, a existência de dificuldades específicas ao autismo não justifica descrever toda a natureza autística como um transtorno. A dificuldade, a necessidade de apoio ou a situação incapacitante não são a mesma coisa que o autismo em si.

A Organização também mencionou que essa distinção havia sido explicada em 2023 a Chiara Servili, especialista em autismo na sede da Organização Mundial da Saúde em Genebra, durante uma longa reunião por videoconferência. Segundo a Organização, ela compreendeu essa distinção e reconheceu sua utilidade.

Durante a reunião, o Embaixador reagiu positivamente a esse ponto e identificou a distinção entre autismo e ASD como um dos elementos importantes que o ajudaram a compreender melhor o assunto.

Um momento no espaço de recepção da Embaixada do Autistão.

Um momento no espaço de recepção da Embaixada do Autistão.

5. A posição conceitual principal da Organização Diplomática do Autistão

A posição central apresentada pela Organização Diplomática do Autistão foi a seguinte:

Os autistas não sofrem do autismo. Os autistas sofrem das consequências da ausência de consideração correta do autismo em todo o sistema social, e essas consequências são atingimentos sociogerados, sensoriais, mentais ou outros que, no fim das contas, são violações da harmonia natural.

Essa posição significa que o problema não está localizado apenas “dentro” da pessoa autista. Ele também se encontra no ambiente, nas atitudes, na comunicação, na organização, nas expectativas sociais, nos ritmos impostos, nas relações e na ausência de oportunidades naturais e respeitosas.

Nessa perspectiva, a acessibilidade não é um luxo, uma questão secundária ou um privilégio. Ela é a resposta direta a uma grande parte dos sofrimentos vividos pelas pessoas autistas.

A Organização explicou que muitas dificuldades são aumentadas, criadas ou mantidas pela forma como o sistema social é organizado: incompreensão, medo, rejeição, complexidade excessiva, agressão sensorial, expectativas incoerentes e tentativas automáticas de normalizar as pessoas autistas.

Ela também explicou que algumas reações autísticas podem ser compreendidas como sinais. Quando uma pessoa autista sofre, bloqueia, se retira ou reage fortemente, a resposta correta não deveria ser apenas silenciar a reação, corrigir a pessoa ou fazer com que a pessoa autista pareça mais normal. Também é necessário perguntar o que, no ambiente, na comunicação, na atitude, na organização ou na expectativa, está produzindo o atingimento sociogerado, sensorial, mental ou outro.

Uma imagem usada durante a apresentação foi a de um alarme. Se um alarme toca, a resposta inteligente não é quebrar o alarme ou desligar a sirene. A resposta inteligente é descobrir qual perigo, incoerência ou agressão o ativou.

As reações autísticas podem, portanto, ajudar a revelar defeitos do sistema social. Uma boa política de autismo não deveria começar perguntando apenas como corrigir as pessoas autistas. Ela também deveria perguntar como a sociedade pode se tornar suficientemente acessível para que as pessoas autistas possam viver, aprender, participar, desenvolver-se e expressar suas qualidades autísticas sem serem prejudicadas.

O Embaixador ouvindo a apresentação sobre autismo, acessibilidade e a possível relevância desta abordagem para o Nepal.

O Embaixador ouvindo a apresentação sobre autismo, acessibilidade e a possível relevância desta abordagem para o Nepal.

6. Um modelo baseado em acessibilidade, adaptações, assistência e apoio individualizado

A Organização Diplomática do Autistão apresentou um modelo baseado em várias camadas, das mais gerais às mais individualizadas.

A primeira camada é a acessibilidade geral para as pessoas autistas, baseada tanto quanto possível no desenho universal. A sociedade, os serviços, os procedimentos, a comunicação e as atitudes deveriam ser tornados acessíveis de maneira geral antes que uma pessoa autista já esteja em dificuldade.

A segunda camada são as adaptações razoáveis em presença do autismo. Quando a acessibilidade geral não é suficiente para uma situação ou pessoa específica, ajustes específicos devem ser identificados, implementados, verificados e corrigidos se necessário.

A terceira camada é a assistência geral em autismo, acessível tanto quanto possível, inclusive à distância. Essa assistência poderia ser útil não apenas para pessoas autistas e suas famílias, mas também para escolas, serviços públicos, profissionais, serviços de emergência, locais de trabalho, comércios e contextos comuns diante de situações envolvendo autismo.

Essa assistência também poderia utilizar ferramentas digitais e inteligência artificial para conectar orientações práticas, educação, estatísticas, problemas recorrentes e possíveis soluções. A ideia não é substituir a responsabilidade humana, mas tornar a orientação mais acessível e mais útil em situações comuns nas quais as pessoas não sabem como reagir a dificuldades relacionadas ao autismo.

A quarta camada é o apoio individualizado em autismo, para pessoas autistas e famílias que precisam de apoio mais preciso, pessoal e contínuo.

A lógica não é começar por sistemas individualizados caros para todos. A lógica é a subsidiariedade: primeiro tornar a sociedade mais acessível de maneira geral, depois acrescentar adaptações razoáveis quando necessário, depois fornecer assistência geral em autismo para muitas situações e, por fim, oferecer apoio individualizado para aqueles que precisam dele.

Essa abordagem pode ser especialmente relevante em um país onde os recursos, os especialistas e o acesso aos serviços urbanos podem ser limitados. Ela não nega a utilidade do apoio especializado, mas evita fazer dos sistemas especializados e individualizados a única resposta possível, especialmente quando muitas famílias não têm meios financeiros, materiais ou logísticos para depender principalmente desse tipo de sistema.

7. Acessibilidade atitudinal: uma das dimensões mais decisivas

Uma parte importante da apresentação dizia respeito à acessibilidade atitudinal.

Os obstáculos enfrentados pelas pessoas autistas não são apenas sensoriais ou materiais. Eles também se encontram nas atitudes: medo, julgamento, rejeição, interpretações erradas, reações de ego, incompreensão dos comportamentos autísticos, tentativas automáticas de normalizar, zombaria e exclusão.

Famílias, escolas, serviços públicos e comunidades podem evitar muitos problemas se receberem orientações simples e corretas. Uma grande parte dos conflitos, exclusões, sofrimentos e intervenções custosas pode ser reduzida se o ambiente social aprender a não julgar, a não rejeitar e a compreender as situações envolvendo autismo.

A Organização insistiu que a acessibilidade para as pessoas autistas não é um privilégio retirado dos outros e dado às pessoas autistas. É uma correção do próprio sistema social. Muito frequentemente, essas correções são úteis para todos porque reduzem a confusão, a agressão, a incoerência, o excesso, a desordem e a complexidade inútil.

Essa dimensão é particularmente importante para o Nepal, porque a redução das barreiras atitudinais não depende principalmente de grandes orçamentos, edifícios especializados ou sistemas pesados. Ela depende, antes de tudo, de informação correta, de atitudes humanas, de paciência, de delicadeza, de atenção aos outros e de uma vontade social de adaptar o ambiente em vez de forçar as pessoas autistas a se normalizarem.

As pessoas autistas são frequentemente as primeiras a sofrer com esses defeitos do sistema social, mas quando esses defeitos são corrigidos, toda a sociedade pode se tornar mais clara, mais calma, mais coerente, mais econômica e mais humana.

8. Por que esta abordagem pode ser particularmente adaptada ao Nepal

A Organização explicou que muitas políticas de autismo em países mais ricos se apoiam em sistemas caros, centralizados, profissionalizados e urbanos. Esses modelos frequentemente exigem deslocamentos até as cidades, intervenções repetidas, programas especializados e controle profissional. Alguns deles também continuam orientados, explicitamente ou implicitamente, para fazer as pessoas autistas parecerem menos autistas.

Para famílias pobres, comunidades rurais e países com recursos limitados, tais modelos podem ser difíceis de acessar. No Nepal, esse problema pode ser ainda mais importante por causa das distâncias, das estradas, dos transportes, do custo dos deslocamentos e da concentração dos serviços especializados em certos centros urbanos. Se uma política de autismo depender principalmente de tratamentos caros, profissionais especializados e deslocamentos repetidos, ela poderá simplesmente ficar fora do alcance de muitas famílias.

Esses modelos também podem se tornar maltratantes quando procuram principalmente normalizar as pessoas autistas em vez de respeitar a natureza autística. Por isso, não seria adequado importar mecanicamente métodos “prontos” já usados em países ocidentais, especialmente quando eles são caros, difíceis de aplicar, às vezes problemáticos, e nem sempre respondem aos verdadeiros problemas vividos pelas pessoas autistas e suas famílias.

A Organização Diplomática do Autistão, portanto, propôs que o Nepal poderia escolher outro caminho: uma abordagem baseada mais na inteligência, no discernimento, na humanidade, na gentileza, na acessibilidade, na aceitação e no respeito à natureza autística.

O representante da Organização referiu-se à sua experiência pessoal com pessoas nepalesas e à sua estadia no Nepal. Ele explicou que frequentemente observou qualidades como gentileza, humildade, paciência, disposição para ajudar, atenção aos outros, delicadeza, serviabilidade e uma menor tendência a se ofender ou a reagir com ego. Ele esclareceu que, evidentemente, nem todas as pessoas nepalesas são idênticas, mas que esse potencial humano pode ser muito importante para o autismo.

Para as pessoas autistas, tais qualidades não são secundárias. Paciência, humildade, gentileza, delicadeza, atenção aos outros e a capacidade de não levar reações autísticas para o lado pessoal podem fazer uma diferença enorme. No autismo, o capital humano pode resolver problemas que o dinheiro sozinho não pode resolver.

A ideia foi, portanto, que o principal capital do Nepal neste campo talvez não seja o capital financeiro, mas o capital humano. Esse capital humano poderia permitir ao Nepal desenvolver um modelo mais acessível, menos caro, menos violento, menos normalizador e mais coerente com as necessidades reais das pessoas autistas.

A convergência apresentada pela Organização foi precisamente esta: a abordagem proposta não depende primeiro da força, do dinheiro, da potência institucional, da centralização ou da obrigação de conformar as pessoas. Ela depende da compreensão correta, da acessibilidade, da adaptação da sociedade, da redução das barreiras atitudinais e da possibilidade de fazer melhor com poucos meios financeiros ou materiais. Essas características podem corresponder muito bem às qualidades e realidades do Nepal.

A Organização também mencionou a originalidade simbólica do Nepal: sua bandeira única, seu fuso horário particular, sua geografia e sua identidade cultural. Seria lamentável que um país tão original simplesmente importasse um modelo normalizador cujo objetivo é precisamente fazer as pessoas autistas parecerem menos diferentes.

O Nepal poderia, ao contrário, desenvolver um modelo nepalês para o autismo, adaptado às suas próprias realidades, às famílias com recursos materiais limitados, às dificuldades práticas de deslocamento e ao seu próprio capital humano. Esse modelo poderia ser útil não apenas para o Nepal, mas também para muitos outros países não ricos.

9. Aprender o não-autismo como uma segunda língua, sem apagar a primeira

Outra ideia importante apresentada durante a visita foi que as pessoas autistas realmente precisam aprender certas coisas para compreender a sociedade não autística, evitar perigos, participar da vida social e ser melhor compreendidas.

A Organização foi muito clara ao dizer que não nega a necessidade de aprendizagem. As pessoas autistas podem precisar de aprendizagens específicas sobre a sociedade, a comunicação, as expectativas comuns, os perigos, a vida prática e o mundo não autístico.

No entanto, essa aprendizagem não deve significar apagar o autismo.

A Organização usou uma comparação com as línguas. Uma pessoa francesa vivendo no Brasil deve aprender o português e certos códigos culturais brasileiros. Mas aprender português não exige apagar a língua francesa, a cultura francesa ou a história pessoal. Da mesma forma, as pessoas autistas podem aprender o mundo não autístico como uma espécie de segunda língua, sem destruir sua primeira língua autística.

Essa comparação é importante porque evita uma falsa oposição. O ponto não é recusar a aprendizagem, e não é deixar as pessoas autistas sem ferramentas. O ponto é distinguir a aprendizagem útil da normalização que procura suprimir a natureza autística.

As pessoas autistas devem ser ajudadas a compreender o mundo não autístico, mas sem serem forçadas a apagar seu modo autístico de ser, suas qualidades autísticas, sua originalidade, seus interesses específicos, suas necessidades sensoriais, suas formas de atenção e sua relação com o mundo.

10. A aceitação não é uma tolerância passiva

A Organização também explicou que a aceitação não deve ser passiva, superficial ou condescendente. Não basta dizer que as pessoas autistas são toleradas. A aceitação real significa permitir que as pessoas autistas existam, aprendam, participem e se desenvolvam sem serem forçadas a parecer não autísticas.

A aceitação não significa recusar toda aprendizagem. Não significa ignorar as dificuldades. Não significa abandonar as pessoas autistas sem ajuda. Significa respeitar a natureza autística enquanto se abordam necessidades reais de apoio, dificuldades reais e situações reais de desvantagem.

Se o autismo em si é aceito, muitos esforços atualmente gastos para fazer as pessoas autistas parecerem não autísticas tornam-se desnecessários, ou até claramente prejudiciais. A energia pode então ser usada para tornar a sociedade mais acessível, apoiar aprendizagens úteis e criar oportunidades reais de participação.

11. Inclusão natural e oportunidades de tentar

A inclusão foi apresentada não apenas como um direito, mas também como um ambiente natural de aprendizagem, desde que as pessoas ao redor sejam suficientemente acessíveis.

A Organização insistiu na importância de oferecer oportunidades em vez de superproteger. Muitas crianças autistas são consideradas incapazes simplesmente porque são autistas, ou porque o autismo é interpretado como uma incapacidade global. Essa percepção frequentemente impede que lhes sejam dadas oportunidades reais, seguras e respeitosas de tentar, participar e aprender.

Este ponto deve ser distinguido de outro: as pessoas autistas são frequentemente colocadas em situações incapacitantes por causa de obstáculos sociogerados no ambiente. A primeira questão é a percepção de incapacidade imposta às pessoas autistas porque elas são autistas. A segunda questão é a produção de situações incapacitantes por um ambiente social inacessível. As duas questões existem, mas não devem ser confundidas.

A Organização deu o exemplo de Tima, um jovem menino autista no Cazaquistão (Autistan.kz). Em um ambiente natural de montanha, com uma abordagem não defectológica, ele não foi tratado como doente ou defeituoso. Foram-lhe dadas oportunidades concretas por meio de tarefas simples e atividades reais.

No início, ele parecia muito passivo e quase desconectado das atividades. Sua família, provavelmente com boas intenções, parecia considerar que ele nunca seria realmente capaz de fazer alguma coisa sozinho porque era autista. A resposta não foi forçá-lo por meio de um programa especializado caro, mas dar-lhe oportunidades reais, simples e respeitosas de participar.

Em apenas alguns dias, sua atitude mudou visivelmente. Ele ganhou confiança, participou de atividades práticas, foi reconhecido por outras crianças e viveu momentos simples de amizade. A Organização explicou que fotos e vídeos podem mostrar essa evolução.

O ponto essencial não foi uma terapia cara. O ponto essencial foi um ambiente natural, respeitoso, não defectológico, e uma mudança concreta no sistema ao redor da criança autista.

12. Uma vida autística livre, sustentável e realizada

A apresentação também abordou a ideia de uma vida autística livre, sustentável e realizada.

Uma política de autismo não deveria parar na infância, no diagnóstico, na escola ou na saúde. Ela deveria considerar toda a vida das pessoas autistas: identificação ou confirmação do autismo, saúde integral, educação respeitosa do autismo, formação profissional, possível vida independente, autonomia, continuidade do apoio, envelhecimento e longevidade.

Ela também deveria proteger a possibilidade de uma vida autística realizada: criatividade, interesses específicos, natureza, experiências, descobertas, viagens, relações escolhidas, liberdade, originalidade e um caminho pessoal.

Uma parte muito importante dessa abordagem é a valorização, proteção e aplicação das forças autísticas. Isso significa mudar o enquadramento. Alguns defeitos aparentes podem, na realidade, revelar forças autísticas, e algumas reações autísticas podem funcionar como sinais que mostram onde o ambiente está produzindo atingimentos sociogerados, sensoriais, mentais ou outros.

Em vez de ver apenas defeitos aparentes, a política pública também deveria reconhecer as forças autísticas. As reações autísticas podem ajudar a identificar características prejudiciais do sistema social e ajudar a sociedade a voltar a mais equilíbrio e harmonia.

13. Uma síntese espontânea após a apresentação preparada

Após a apresentação preparada, o representante da Organização Diplomática do Autistão acrescentou uma síntese espontânea da mensagem principal que havia tentado transmitir.

Ele explicou que, em vez de importar as abordagens habituais sobre o autismo — muitas vezes médicas, tecnológicas, caras, centralizadas, baseadas em centros especializados e difíceis de acessar para muitas famílias por causa do custo, da distância e dos transportes — o Nepal poderia também considerar uma abordagem complementar e alternativa, baseada na acessibilidade, especialmente na acessibilidade atitudinal.

As pessoas autistas precisam, sim, aprender a sociedade: como compreender situações sociais, como se comportar em certos contextos, como evitar perigos e como participar mais facilmente da vida comum. Mas essa aprendizagem não deve significar a remoção do autismo. O autismo é uma diferença. Ele inclui tanto forças quanto dificuldades, e não deve ser reduzido a um defeito que deveria ser eliminado.

Para explicar isso, ele utilizou uma comparação com as línguas. Uma pessoa francesa vivendo no Brasil precisa aprender português e certos hábitos culturais brasileiros. Mas aprender português não exige apagar a língua francesa, a cultura francesa ou a experiência pessoal francesa. Da mesma forma, as pessoas autistas podem aprender o mundo não autístico como uma espécie de segunda língua, sem destruir sua primeira língua autística.

Ele explicou então que, em muitos países, a primeira reação das famílias e dos sistemas é ver os aspectos mais superficiais e problemáticos do autismo e temer que a criança autista sofra no futuro porque as pessoas irão rejeitá-la, zombar dela ou excluí-la. Esse medo pode levar os pais a pensar que a única solução é corrigir ou normalizar a criança.

Mas existe outro caminho: as pessoas autistas podem aprender coisas úteis, enquanto a sociedade também pode aprender a não julgá-las, não rejeitá-las e não zombar delas.

Essa segunda dimensão é extremamente importante porque pode ser muito útil, muito eficaz e de custo muito baixo. Trata-se principalmente de conscientização, informação correta e atitudes. As pessoas autistas não podem realmente ser transformadas em pessoas não autistas. Portanto, em vez de tentar apagar o autismo, é muito mais coerente tornar a sociedade mais acessível e mais acolhedora, ajudando ao mesmo tempo as pessoas autistas a aprender o que é útil para viver em sociedade.

É por isso que essa abordagem pode fazer um sentido particular para o Nepal. Muitos métodos habituais são caros, nem sempre muito eficazes, e às vezes maltratantes para as pessoas autistas porque se baseiam na normalização. No Nepal, porém, parece existir outro tipo de capital: o capital humano.

O representante da Organização referiu-se ao que percebeu como gentileza, paciência, humildade, disposição para ajudar e capacidade de não se ofender facilmente. Ele mencionou sua própria experiência com Shree Ram Dangal, que viveu com ele durante vários anos e nunca reagiu com ofensa, mesmo em momentos difíceis.

Ele também lembrou que, durante sua estadia no Nepal, não observou o mesmo tipo de reações sociais agressivas ou julgadoras que frequentemente criam barreiras para as pessoas autistas. Por essa razão, considerou que o Nepal pode ter um forte potencial social para a acessibilidade atitudinal.

O Governo do Nepal poderá continuar desenvolvendo centros, serviços e abordagens médicas ou especializadas. Mas uma abordagem complementar poderia ser acrescentada: informar a sociedade, as famílias, as escolas, os servidores públicos e as comunidades para que as pessoas autistas sejam melhor aceitas, menos julgadas, menos rejeitadas e melhor compreendidas.

Tal abordagem custaria muito menos do que sistemas especializados pesados, e poderia ajudar a reduzir sofrimentos, exclusões, conflitos desnecessários, hospitalizações e outras consequências graves.

O ponto principal era, portanto, que, se a sociedade permanece inacessível e hostil, as famílias podem se sentir obrigadas a normalizar as crianças autistas porque temem que o sistema as prejudique ou as exclua. Mas, se o sistema social se torna mais amigável, mais informado e mais acessível, então as crianças autistas podem aprender o que precisam aprender, mantendo ao mesmo tempo suas qualidades autísticas e sua natureza autística.

Para a Organização Diplomática do Autistão, isso torna o contexto nepalês especialmente significativo: o Nepal pode ter qualidades humanas particularmente úteis para o autismo, e essas qualidades podem ser mais eficazes do que métodos caros quando são combinadas com informação correta, conscientização e acessibilidade prática.

14. A reação do Embaixador: aceitação, dignidade, respeito e ambiente

Depois da apresentação, Sua Excelência o Embaixador do Nepal agradeceu à Organização e indicou que a apresentação o ajudou a compreender melhor o assunto.

Ele identificou duas mensagens importantes no que havia sido apresentado.

A primeira dizia respeito ao olhar dirigido às pessoas autistas e à importância da aceitação. O Embaixador enfatizou que não se trata apenas de aceitar as pessoas autistas, mas também de reconhecer a dignidade e o respeito a que elas têm direito.

A segunda dizia respeito à importância do ambiente. Ele destacou a necessidade de considerar o ambiente e a inclusão. Isso permitiu à Organização esclarecer novamente que os obstáculos podem ser sensoriais, mas também atitudinais, e que as barreiras atitudinais são frequentemente esquecidas.

Essa reação foi importante porque mostrou que o Embaixador percebeu claramente dois eixos centrais da abordagem: mudar a forma como o autismo é visto, e adaptar o sistema social em vez de tentar apenas corrigir as pessoas autistas.

15. Escolas especializadas ou inclusão?

Em seguida, ocorreu uma discussão importante sobre as escolas relacionadas ao autismo que podem ser desenvolvidas no Nepal.

O Embaixador indicou que não estava plenamente informado sobre tudo o que está sendo feito atualmente no Nepal no campo do autismo, mas que havia lido ou ouvido que o governo estava considerando abrir escolas para crianças autistas.

Ele então levantou uma pergunta muito importante: é preferível abrir novas escolas específicas para crianças autistas, ou integrá-las em escolas comuns?

A Organização respondeu que essa pergunta vai diretamente ao coração do problema. O principal desafio para as crianças autistas é aprender a viver com os outros. Se elas forem colocadas apenas em escolas compostas por crianças autistas ou crianças com dificuldades semelhantes, apenas com pessoal especializado, elas não poderão aprender naturalmente a vida social comum.

Isso não significa que a inclusão seja fácil, ou que nenhuma adaptação seja necessária. Mas quando algumas crianças diferentes são incluídas em ambientes comuns, com uma preparação mínima do ambiente e das atitudes, elas podem aprender a sociedade real em vez de serem separadas dela.

A Organização também se referiu à sua própria experiência de ter sido colocada em um centro especializado aos seis ou sete anos de idade. Tal contexto pode fazer uma criança pensar que ela mesma é “problemática” ou “anormal”, porque é colocada entre crianças que são todas percebidas como tendo problemas.

Essa discussão foi importante porque conectou o contexto político nepalês a uma questão mais ampla: como crianças autistas podem aprender a sociedade se são separadas da sociedade?

16. A possível contribuição das pessoas autistas para a sociedade

O Embaixador desenvolveu então a ideia de que as crianças autistas podem ser integradas na sociedade e contribuir para ela.

Ele explicou que toda criança autista pode ter uma capacidade ou aptidão particular, e que é importante ajudar a criança a desenvolver as competências que correspondem a ela, para que mais tarde a pessoa possa contribuir para a sociedade por meio de uma ocupação, trabalho ou atividade social.

Ele deu o exemplo do Nepal em relação às pessoas cegas ou com baixa visão. Mencionou que em certas escolas públicas existem possibilidades para pessoas cegas se tornarem professoras. Referiu-se ao caso de um primo cego que se tornou professor.

Essa comparação abriu a ideia de que também pode haver professores autistas, ou mais amplamente pessoas autistas desempenhando papéis profissionais úteis na sociedade.

A Organização, no entanto, lembrou que um dos grandes obstáculos continua sendo a rejeição. Pessoas que parecem estranhas ou diferentes são frequentemente rejeitadas automaticamente porque causam medo ou porque não correspondem às expectativas sociais habituais.

O Embaixador reconheceu a importância desse problema e o comparou com outras mudanças sociais históricas. Ele lembrou que mudanças que pareciam difíceis no passado, por exemplo quanto à participação das mulheres na vida pública, acabaram acontecendo rapidamente na escala histórica.

Essa parte do diálogo foi importante porque conectou a questão do autismo a uma questão humana e social mais ampla: as sociedades podem mudar sua percepção de grupos que antes eram excluídos, subestimados ou considerados incapazes.

17. O papel da Embaixada do Nepal como ponte humana e institucional

O Embaixador explicou que o papel da Embaixada do Nepal em Brasília não é apenas manter relações com o governo brasileiro, mas também com a sociedade civil, pessoas, meios acadêmicos e instituições. Ele se referiu a isso como parte da diplomacia pública.

A Organização Diplomática do Autistão explicou que esse era precisamente o tipo de papel que poderia ser muito útil. Uma simples carta ou email enviado diretamente a uma instituição pode receber uma resposta educada e depois ficar sem continuidade. Mas se a Embaixada do Nepal, depois de ter conhecido a Organização, indicar às autoridades competentes que essa iniciativa parece séria e merece atenção, então as pessoas responsáveis no Nepal poderão levar a abordagem muito mais a sério.

Nesse sentido, a Embaixada pode ajudar a atravessar a primeira barreira atitudinal: a dúvida inicial, a falta de compreensão, a falta de tempo, a falta de familiaridade com a abordagem, ou a impressão de que o autismo deve ser tratado apenas pelos quadros médicos ou institucionais habituais.

A Organização explicou que nomes e endereços de email são úteis, mas frequentemente não são suficientes. O mais eficaz é uma conexão humana e institucional que possa levar a uma verdadeira relação de trabalho: primeiro uma breve nota técnica, depois uma videoconferência real, e mais tarde, se for útil, uma contribuição mais precisa a documentos ou projetos em preparação.

A Organização deu o exemplo de diálogos anteriores com Jonas Ruškus, relator para a França no Comitê da ONU sobre a CDPD entre 2019 e 2021. No início, os diálogos eram educados e limitados. Mas, à medida que o diálogo se desenvolveu, ele compreendeu cada vez mais a importância e a utilidade das explicações da Organização.

Esse exemplo foi usado para explicar que uma contribuição incomum pode, no início, parecer difícil de avaliar ou secundária, mas quando se permite que um diálogo real se desenvolva, pessoas competentes podem compreender progressivamente como ela é útil para o próprio trabalho delas.

18. Uma continuidade concreta: documentos, provas e possíveis contatos no Nepal

O Embaixador propôs uma continuidade concreta.

Ele pediu que a Organização enviasse, por via eletrônica, ao endereço eletrônico oficial da Embaixada do Nepal, a apresentação usada durante a reunião, os recursos disponíveis, vídeos, provas relativas ao trabalho já realizado com as Nações Unidas, a Organização Mundial da Saúde, a França e o Cazaquistão, e documentos úteis, especialmente em formato PDF.

Ele indicou que esses materiais poderiam ser estudados pela Embaixada, e que após essa primeira análise, a Organização poderia escrever novamente. A Embaixada tentaria então identificar contatos relevantes no Nepal, especialmente entre instituições governamentais ou instituições que trabalham no campo do autismo.

A ideia de uma futura videoconferência também foi discutida. A Organização explicou que documentos escritos são úteis, mas que um verdadeiro diálogo por vídeo frequentemente permite esclarecer conceitos difíceis e evitar mal-entendidos.

O exemplo da reunião com Chiara Servili foi novamente mencionado a esse respeito. No início, a distinção entre autismo e transtornos específicos ao autismo não era imediatamente óbvia. Mas por meio do diálogo, das perguntas, das explicações e dos exemplos, o sentido e a utilidade da distinção tornaram-se mais claros.

19. Planos nacionais de autismo e a importância da implementação

A reunião também permitiu uma discussão sobre planos nacionais de autismo em diferentes países.

A Organização indicou que, em 2024, havia realizado um estudo sobre o projeto australiano de plano nacional de autismo, com uma comparação mostrando cerca de 18 países ou regiões que já tinham um plano, uma estratégia ou um documento nacional sobre o autismo naquele momento. Também foi observado que hoje pode haver mais.

Essa comparação pode ser útil para o Nepal, porque uma política nacional de autismo não é apenas uma questão de princípios gerais. Ela também exige implementação: prioridades, medidas, responsabilidades, coordenação, ações práticas, acessibilidade, sistemas de apoio e monitoramento.

O exemplo do Irã foi brevemente mencionado, após a visita recente do Adido Cultural do Irã (Autistan.ir) à Embaixada do Autistão. A Organização indicou que o Irã também parece estar trabalhando em um documento nacional relacionado ao autismo.

O Brasil também foi discutido. A Organização explicou que o Brasil tem muitas leis sobre o autismo, mas ainda carece de um verdadeiro plano nacional de implementação.

Foi feita uma comparação com um grande navio. Se o autismo fosse um navio muito grande, as famílias não deveriam ser deixadas sozinhas a bordo, sem capitão, sem tripulação, sem equipe e sem organização prática, recebendo apenas centenas ou milhares de páginas de leis marítimas ou de navegação. As leis são importantes, mas não substituem um plano, uma estrutura e uma orientação prática.

O Embaixador observou que os países poderiam aprender uns com os outros. Essa observação abriu uma perspectiva importante: um futuro diálogo pode não ser apenas bilateral entre o Autistão e o Nepal, mas também comparativo e internacional.

Perto da placa da Embaixada do Autistão, com os símbolos do Nepal e do Autistão.

Perto da placa da Embaixada do Autistão, com os símbolos do Nepal e do Autistão.

Perto da placa da Embaixada do Autistão, marcando o caráter simbólico da visita.

Perto da placa da Embaixada do Autistão, marcando o caráter simbólico da visita.

20. Apreciação geral da visita

Esta visita pode ser considerada muito positiva.

Um dos significados mais importantes da visita foi a clara convergência que a Organização Diplomática do Autistão procurou apresentar entre as realidades concretas do Nepal, as qualidades humanas do Nepal e a abordagem não defectológica proposta pela Organização. Essa abordagem pode ser especialmente relevante em um país onde muitas famílias não podem depender facilmente de sistemas especializados caros, deslocamentos repetidos ou serviços urbanos, e onde qualidades humanas como paciência, gentileza, serviabilidade, delicadeza, atenção aos outros e sutileza social podem se tornar recursos centrais para a acessibilidade.

Ela permitiu receber oficialmente Sua Excelência o Embaixador do Nepal no Brasil na Embaixada do Autistão, juntamente com o Sr. Tejendra Regmi, diplomata da Embaixada do Nepal em Brasília.

Também permitiu apresentar claramente a abordagem da Organização Diplomática do Autistão, especialmente a distinção fundamental entre autismo e transtornos específicos ao autismo, a importância da acessibilidade atitudinal, a necessidade de reduzir os atingimentos sociogerados, sensoriais, mentais ou outros, e a possibilidade de pensar a política de autismo de uma forma que não esteja centrada no defeito, na normalização ou em sistemas especializados caros.

A reunião abriu uma discussão séria sobre os riscos de abordagens excessivamente centradas em ambientes especializados ou na normalização, e sobre a importância da inclusão, da dignidade, do respeito e de oportunidades reais para crianças e adultos autistas.

Ela também mostrou que o Nepal pode ter um potencial particular para desenvolver uma abordagem mais humana, menos cara e menos normalizadora do autismo, baseada na acessibilidade, na aceitação, nas qualidades humanas, na inclusão natural, na adaptação local, na menor dependência de deslocamentos caros ou centros especializados, e no respeito à natureza autística.

A reunião confirmou a importância da diplomacia humana e do diálogo direto. A Organização pôde mostrar que não busca impor uma visão externa, mas propor explicações, análises, experiências e contribuições úteis, a fim de ajudar as autoridades nepalesas a fazer escolhas mais justas e eficazes em um momento em que as primeiras orientações nacionais sobre o autismo ainda parecem estar em construção.

21. Conclusão

Esta primeira visita do Embaixador do Nepal no Brasil à Embaixada do Autistão em Brasília marca uma etapa importante na abertura de um possível diálogo entre a Organização Diplomática do Autistão e as autoridades nepalesas competentes no campo do autismo.

Ela permitiu apresentar uma abordagem baseada não na correção das pessoas autistas, mas na correção dos obstáculos no sistema social, na acessibilidade, na aceitação do autismo, na dignidade das pessoas autistas e na possibilidade de uma vida autística livre, respeitada e realizada.

O Nepal, por suas qualidades humanas, sua singularidade cultural, os meios materiais limitados de muitas famílias, a dificuldade prática de depender principalmente de serviços urbanos caros, e a preparação atual de estruturas ou orientações relacionadas ao autismo, poderia ter a oportunidade de desenvolver uma política de autismo original, útil e exemplar, adaptada às suas realidades e potencialmente inspiradora para outros países.

A Organização Diplomática do Autistão agradece calorosamente a Sua Excelência o Embaixador do Nepal no Brasil e ao Sr. Tejendra Regmi por sua visita, sua escuta, sua paciência e sua abertura, e espera que esta primeira reunião possa ser seguida por um diálogo concreto com as autoridades e instituições envolvidas no Nepal.

Perto da placa da Embaixada do Autistão, com os símbolos do Nepal e do Autistão.

S.E. Nirmal Raj Kafle, Embaixador do Nepal no Brasil, perto da placa da Embaixada do Autistão.


 

Comments are closed.