Visita do Adido Cultural do Irã à Embaixada do Autistão em Brasília

Brasília, 22 de maio de 2026. A Organização Diplomática do Autistão recebeu, na Embaixada do Autistão em Brasília, o Sr. Ali Reza Mirjalili, Adido Cultural da Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil, acompanhado por seu assistente e pelo Sr. Silvio S., da associação TOPA, por meio de quem esse primeiro contato pôde ocorrer.

A visita permitiu apresentar a abordagem da Organização sobre autismo, acessibilidade e políticas públicas, bem como abrir uma perspectiva de diálogo institucional com o Irã sobre possíveis contribuições internacionais, formuladas de maneira independente, respeitosa e baseadas na perspectiva dos próprios autistas.

O eixo central da reunião foi a possibilidade de a Organização Diplomática do Autistão contribuir para uma compreensão mais adequada do autismo e para o desenvolvimento de políticas públicas mais acessíveis, justas e efetivas, especialmente no contexto de reflexões ou documentos nacionais sobre autismo no Irã.

Sala da Embaixada do Autistão em Brasília durante a reunião de 22 de maio de 2026, com a bandeira do Autistão, a placa da Embaixada, a vista para Brasília, uma mesa baixa com documentos e bebidas, o Adido Cultural do Irã, seu assistente, o Sr. Silvio S. e o representante da Organização.

O espaço de recepção da Embaixada do Autistão em Brasília durante a visita.

Ao longo da reunião, vários elementos concretos foram apresentados: a nota de apresentação sobre autismo, acessibilidade e políticas públicas; o áudio dessa apresentação; documentos de trabalho; a carta mundial do Autistão; o domínio Autistan.ir; imagens da experiência do Cazaquistão e do exemplo de Tima; além de uma breve visita visual ao espaço da Embaixada do Autistão em Brasília. Esses elementos permitiram mostrar que a proposta da Organização não é apenas teórica, mas se apoia em documentos, experiências, símbolos, imagens e possibilidades reais de diálogo institucional.

1. Uma primeira visita diplomática à Embaixada do Autistão em Brasília

A visita teve também uma dimensão simbólica para a Embaixada do Autistão em Brasília. A mesa baixa utilizada para receber visitantes, apoiar documentos, bebidas e pequenos elementos de acolhimento havia sido terminada na véspera da reunião.

Assim, a representação diplomática iraniana foi a primeira a utilizar esse espaço de recepção em uma visita diplomática oficial à Embaixada do Autistão em Brasília. Esse detalhe concreto tem significado particular, pois a Organização Diplomática do Autistão procura tornar cada vez mais visível e compreensível uma realidade que, para muitos interlocutores, ainda pode parecer abstrata: o Autistão como mundo dos autistas, como referência simbólica e como espaço de diálogo internacional sobre autismo.

Durante a conversa, também foi recordado que a representação diplomática do Irã teve um papel histórico especial em Brasília. A própria Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil possui uma página intitulada “A Primeira Embaixada em Brasília”, recordando a inauguração da primeira chancelaria diplomática na nova capital brasileira.

Esse paralelo histórico não foi o centro da reunião, mas deu ao encontro um valor simbólico adicional: uma primeira visita diplomática iraniana à Embaixada do Autistão em Brasília, numa cidade onde a presença diplomática do Irã também possui uma história particular.

Momento da reunião na Embaixada do Autistão em Brasília, com o Adido Cultural do Irã sentado no sofá, o Sr. Silvio S. ao lado, uma mesa baixa com água, copos, pequenos símbolos do Brasil e do Autistão, e a vista de Brasília pela janela.

Um momento da conversa em um ambiente preparado para o diálogo humano e institucional.

2. Apresentação da Organização Diplomática do Autistão

Durante a reunião, foi explicado que a Organização Diplomática do Autistão não é um instituto médico, terapêutico ou de pesquisa, nem uma organização comercial. Trata-se de uma organização internacional, de vocação diplomática, que procura fornecer às autoridades públicas informações, análises, propostas e pareceres sobre o autismo.

Sua abordagem é autista, internacional, não defectológica e centrada na acessibilidade real da sociedade para os autistas. Seu objetivo principal é ajudar autoridades públicas e instituições a compreender melhor o autismo, para que as políticas públicas respondam melhor às necessidades reais dos autistas.

Essa contribuição não consiste em substituir os atores nacionais, nem em impor modelos externos. A Organização pode oferecer uma perspectiva complementar: análises internacionais, experiências concretas, estudos comparativos e pareceres baseados na experiência e na compreensão de autistas.

3. A apresentação lida durante a reunião

Para esse primeiro diálogo, a Organização preparou uma nota em português intitulada “Nota para um primeiro diálogo sobre autismo, acessibilidade e políticas públicas”, datada de Brasília, 22 de maio de 2026.

Essa apresentação foi lida durante a reunião com apoio de um telefone e de um alto-falante Bluetooth. Essa forma de apresentação permitiu organizar melhor as ideias e reduzir a pressão de uma exposição oral completamente improvisada.

Esse detalhe também ilustra um ponto importante da acessibilidade autista: em certas situações, uma apresentação preparada e lida com apoio técnico simples pode permitir uma comunicação mais clara, mais fiel e menos cansativa. A acessibilidade não se limita a adaptações materiais; ela inclui também paciência, flexibilidade, formatos de comunicação adequados e respeito ao modo de funcionamento da pessoa autista.

Áudio da apresentação:

Documento PDF da apresentação:

Loader Loading...
EAD Logo Taking too long?

Reload Reload document
| Open Open in new tab

Télécharger [23.10 KB]

3.1. Síntese da apresentação

A apresentação explicava que a Organização Diplomática do Autistão poderia contribuir para um diálogo com a República Islâmica do Irã, especialmente no campo da acessibilidade autista, da distinção entre autismo e transtornos específicos ao autismo, e da redução dos atingimentos sociogerados.

Segundo a análise apresentada, o Irã já possui bases importantes para uma política pública sobre autismo: adesão à Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, legislação nacional sobre os direitos das pessoas com deficiência, instituições públicas envolvidas, serviços especializados, educação especial, associações ativas e discussões antigas sobre um documento nacional específico sobre autismo.

A nota indicava que um documento nacional sobre autismo pode ser muito útil quando transforma princípios gerais em aplicação concreta. Mas esse documento não deveria ficar limitado ao diagnóstico, à reabilitação, à educação especial ou aos serviços especializados. Ele deveria incluir também a acessibilidade da sociedade aos autistas.

4. Formulação central da abordagem sobre o autismo

Um dos pontos centrais apresentados durante a reunião foi a seguinte formulação:

Os autistas não sofrem do autismo. Os autistas sofrem das consequências da ausência de consideração correta do autismo em todo o sistema social, e essas consequências são atingimentos sociogerados, sensoriais, mentais ou outros que, em última análise, são violações da harmonia natural.

Essa formulação não nega as dificuldades, os sofrimentos ou as necessidades de apoio que muitos autistas podem ter. Ela permite distinguir três coisas que são frequentemente confundidas:

  1. o autismo em si;
  2. os transtornos específicos ao autismo, também chamados TEA ou ASD;
  3. os sofrimentos e obstáculos produzidos quando a sociedade não leva corretamente o autismo em consideração.

Essa distinção é decisiva. Quando o autismo é confundido com uma doença, um defeito ou uma anomalia a corrigir, as políticas públicas tendem a normalizar o autista. Quando a distinção é feita corretamente, torna-se possível apoiar as dificuldades reais sem tratar a natureza autística como uma falha.

5. Autismo, TEA e abordagem não defectológica

A abordagem apresentada é chamada aqui de não defectológica, porque não parte da ideia de que a pessoa autista seria defeituosa, incompleta ou inferior.

O autismo deve ser compreendido como uma particularidade humana: um modo de perceber, sentir, compreender e se relacionar com o mundo. Os transtornos específicos ao autismo podem envolver dificuldades reais e necessidades de apoio, mas eles não devem ser confundidos com o autismo em si.

Essa distinção não é apenas teórica. Ela muda a direção das políticas públicas. Sem essa distinção, a política pública tende a corrigir ou normalizar o autista. Com essa distinção, torna-se possível apoiar as dificuldades reais, desenvolver aprendizagens úteis e corrigir obstáculos sociais, sem destruir ou negar a natureza autística.

6. Acessibilidade autista e atingimentos sociogerados

A apresentação insistiu na importância da acessibilidade. Uma política pública sobre autismo não deve apenas adaptar os autistas ao sistema social existente. Ela deve também tornar o próprio sistema social mais acessível aos autistas.

Quando ambientes, atitudes, regras, interpretações ou procedimentos não levam em conta a realidade autística, surgem obstáculos e atingimentos sociogerados, sensoriais, mentais ou outros. Esses atingimentos não vêm simplesmente da pessoa autista; eles surgem da falta de ajuste entre a realidade autística e o funcionamento social.

Por isso, a acessibilidade para autistas não pode ser reduzida a adaptações materiais ou sensoriais. Ela inclui também clareza, coerência, previsibilidade, escuta, paciência, compreensão da comunicação autística e correção das barreiras atitudinais.

A própria reunião ilustrou isso: a possibilidade de usar uma apresentação preparada, lida com apoio de um telefone e de um alto-falante Bluetooth, mostrou que pequenas adaptações humanas e técnicas podem permitir um diálogo mais claro, mais justo e mais acessível.

7. Vídeo do espaço preparado antes da visita

Antes da chegada do Adido Cultural do Irã, foi gravado um breve vídeo mostrando a Embaixada do Autistão em Brasília preparada para a visita.

A gravação mostra o espaço de recepção, a mesa preparada, documentos de trabalho, símbolos do Autistão, a placa da Embaixada e a vista para a área central de Brasília, incluindo a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional.

Embaixada do Autistão em Brasília, pouco antes da visita do Adido Cultural do Irã, em 22 de maio de 2026.

8. Planos nacionais de autismo e comparação internacional

Um dos temas importantes da reunião foi a questão de um documento nacional sobre autismo no Irã.

A Organização indicou que, segundo as informações disponíveis, esse assunto parece ser discutido há vários anos no Irã. Um documento nacional desse tipo pode transformar princípios gerais em aplicação concreta, com medidas, objetivos, responsabilidades, coordenação e avaliação.

Durante a reunião, a Organização apresentou também seu trabalho de análise do projeto australiano de estratégia nacional de autismo, que a Organização prefere compreender como projeto de plano nacional de autismo. Esse estudo possui mais de 900 páginas e analisa detalhadamente um projeto de documento nacional relativo ao autismo.

A Organização mostrou ainda uma lista de países e regiões que já haviam adotado documentos nacionais sobre autismo. Naquele momento, cerca de 18 países ou regiões estavam identificados nessa lista. O Adido Cultural demonstrou interesse por essa comparação internacional e perguntou sobre a existência de documentos semelhantes em outros países, especialmente em certas regiões da Ásia.

Esse trabalho comparativo integra uma pesquisa internacional mais ampla, em preparação, sobre países que possuem planos, estratégias, folhas de rota ou documentos nacionais equivalentes relativos ao autismo.

Essas comparações não têm como objetivo copiar modelos externos. Elas permitem observar experiências diferentes, identificar pontos fortes e limitações, e ajudar cada país a construir soluções adaptadas à sua própria realidade.

Como referência internacional importante, a Austrália publicou uma National Autism Strategy. A Organização já havia analisado detalhadamente o projeto australiano, antes de sua finalização, como exemplo de estudo aprofundado de um documento nacional sobre autismo.

No Brasil, por exemplo, existem leis importantes relacionadas ao autismo, mas a questão de um plano nacional estruturado continua sendo muito relevante para transformar direitos, princípios e intenções em medidas coordenadas, compreensíveis e aplicáveis.

9. Possível contribuição da Organização ao Irã

A Organização Diplomática do Autistão poderia contribuir para diálogos, reflexões ou documentos relacionados ao autismo no Irã, especialmente sobre quatro pontos:

  1. a distinção entre autismo e transtornos específicos ao autismo;
  2. a acessibilidade da sociedade aos autistas;
  3. a redução dos atingimentos sociogerados;
  4. a necessidade de evitar uma linguagem excessivamente defectológica.

Essa contribuição poderia ajudar a aproximar princípios gerais de aplicação concreta, para que políticas públicas sobre autismo não fiquem limitadas ao diagnóstico, à reabilitação, à educação especial ou aos serviços especializados, mas incluam também a transformação dos ambientes, atitudes e procedimentos que produzem obstáculos para os autistas.

As formas concretas dessa contribuição poderiam ser definidas em diálogo com os interlocutores iranianos competentes, de acordo com os canais institucionais considerados mais adequados.

10. Uma referência regional mencionada em Karbala, no Iraque

Durante a conversa, o Adido Cultural mencionou a Academia Al-Subtain / Al-Sibtain para o autismo e os transtornos do desenvolvimento, situada em Karbala, no Iraque, como exemplo de iniciativa regional ligada ao autismo, à formação, ao cuidado especializado e às instituições.

Essa referência também abriu a possibilidade de imaginar, no futuro, contatos ou intercâmbios com interlocutores iranianos e iraquianos envolvidos nesse campo.

Para a Organização Diplomática do Autistão, centros especializados podem ter utilidade em certos contextos. Contudo, a acessibilidade autista não deve existir apenas nesses lugares. Ela deve existir também nas escolas, nos serviços públicos, nos procedimentos administrativos, nas relações sociais, no trabalho, na cultura e em toda a sociedade.

11. Experiência do Cazaquistão e Pioneer Mountain Resort

A reunião também permitiu apresentar uma experiência concreta realizada no Cazaquistão, em 2016, no Pioneer Mountain Resort, durante um acampamento de verão inclusivo.

A Organização mostrou imagens dessa experiência, incluindo fotos de crianças e adolescentes em um ambiente natural de montanha, com a bandeira do Autistão e atividades coletivas.

Essa experiência é importante porque mostra, de maneira concreta, que uma abordagem não defectológica, natural, participativa e confiante pode produzir efeitos muito positivos.

Em vez de considerar a criança autista como incapaz, a abordagem apresentada consistiu em oferecer oportunidades reais, tarefas simples, confiança progressiva, participação em atividades concretas e convivência com outras crianças em um ambiente natural.

Televisão da Embaixada do Autistão mostrando uma página sobre o acampamento inclusivo no Cazaquistão, com a fotografia de duas crianças em ambiente natural no Pioneer Mountain Resort.

Imagens do acampamento inclusivo no Cazaquistão apresentadas durante a reunião.

11.1. O exemplo de Tima

Entre os exemplos mostrados durante a reunião, um dos mais importantes foi o de Tima, um jovem autista que participou da experiência no Pioneer Mountain Resort.

As imagens apresentadas mostravam uma progressão muito clara em poucos dias. No início, Tima parecia muito fechado em seu próprio mundo, pouco envolvido nas atividades e com pouca participação concreta. Progressivamente, com confiança, tarefas simples e participação natural, ele começou a ajudar, carregar objetos, participar de atividades e se relacionar de maneira mais presente com o ambiente e com as outras crianças.

Essa progressão não deve ser interpretada como um “milagre” nem como um modelo único. Ela mostra algo mais simples e mais importante: quando um jovem autista recebe confiança, oportunidades concretas, aceitação, ambiente adequado e relações humanas não defectológicas, capacidades antes invisíveis podem aparecer rapidamente.

Esse exemplo ajuda a compreender a importância de políticas públicas que não sejam baseadas apenas na correção, na normalização ou na separação, mas também na acessibilidade, na confiança, na participação e na transformação dos ambientes.

Momento da reunião em que são apresentadas imagens de Tima, jovem autista participante da experiência no Pioneer Mountain Resort, no Cazaquistão, em um computador colocado sobre a mesa.

O exemplo de Tima foi apresentado como uma documentação concreta da importância da confiança, da participação e do ambiente adequado.

Para uma documentação mais completa dessa experiência, com fotos, vídeos e explicações detalhadas, ver o artigo publicado pela Embaixada do Autistão no Cazaquistão: Aconselhamento eficiente do Autistão durante um acampamento de verão inclusivo no Cazaquistão.

11.2. Inclusão natural e explicações simples às outras crianças

A experiência do Cazaquistão também mostrou que a inclusão não depende apenas de discursos gerais.

Em um ambiente natural, com explicações simples às outras crianças, sem pressão excessiva e sem olhar defectológico permanente, a participação pode acontecer de maneira muito mais espontânea.

As outras crianças não precisam necessariamente de formações complexas para aprender a conviver com crianças diferentes. Muitas vezes, uma explicação simples, clara e humana no início é suficiente para reduzir medo, rejeição, mal-entendidos e atitudes inadequadas.

Esse tipo de experiência ajuda a mostrar que a acessibilidade autista pode ser simples, concreta e pouco custosa, quando existe compreensão correta.

12. A carta mundial do Autistão e o domínio Autistan.ir

A Organização mostrou também ao Adido Cultural a carta mundial do Autistão.

Nessa carta, pequenos marcadores indicam os países para os quais a Organização já adquiriu domínios nacionais de internet, isto é, ccTLDs correspondentes às extensões de países.

O domínio Autistan.ir foi mostrado como exemplo. Ele havia sido adquirido pela Organização há vários anos, indicando uma atenção antiga ao diálogo com o Irã dentro da construção internacional do Autistão. A extensão .ir corresponde ao domínio nacional de internet da República Islâmica do Irã.

O Adido Cultural demonstrou interesse por esse aspecto e perguntou se o representante da Organização conhecia as extensões nacionais dos países. A resposta foi que talvez não todas, mas a maior parte delas. Em seguida, vários exemplos foram dados rapidamente sobre a carta mundial.

Esse momento despertou interesse porque mostrou uma dimensão concreta do trabalho internacional da Organização: o Autistão não é apenas uma ideia ou um nome, mas também uma construção progressiva com presença simbólica, digital, diplomática e documental em diferentes países.

O Adido Cultural do Irã aponta para a região do Irã em uma carta mundial do Autistão, segurando uma pequena bandeira do Autistão.

A carta mundial do Autistão permitiu mostrar o domínio Autistan.ir e a construção internacional da Organização.

13. O sentido do nome Autistão e o sufixo “-stan”

No final da reunião, diante da placa da Embaixada do Autistão, o Adido Cultural observou o nome “Autistão” e mencionou o sufixo “-stan”.

Esse sufixo, de origem persa / indo-iraniana, está ligado à ideia de lugar, terra ou país. Ele aparece no nome de vários países e regiões.

Foi explicado que o nome Autistão foi escolhido justamente por essa razão. Inicialmente, ele podia ser entendido como “país dos autistas”. Hoje, a Organização prefere muitas vezes explicar o Autistão como o “mundo dos autistas”: o mundo de tudo o que corresponde ao autismo, à realidade autística e ao que existe de comum entre os autistas.

O Adido Cultural mencionou também exemplos ligados ao Irã, incluindo Golestan, nome que pode ser compreendido como “jardim”, “lugar” ou “terra das flores”. Ele também recordou que vários países vizinhos ou regionais com nomes terminados em “-stan” possuem vínculos históricos, linguísticos ou culturais profundos com a área iraniana.

O Adido Cultural do Irã em pé diante da placa de vidro da Embaixada do Autistão em Brasília, apontando para o símbolo do Autistão, com a vista urbana de Brasília ao fundo.

O nome Autistão tornou-se também um ponto de diálogo linguístico e cultural.

14. A importância da Embaixada do Autistão em Brasília

A reunião mostrou também a importância concreta da Embaixada do Autistão em Brasília.

Um contato por carta ou e-mail pode ser necessário, mas nem sempre cria uma relação humana suficiente. Uma reunião presencial permite explicar, mostrar documentos, apresentar fotos, responder a perguntas, criar confiança e transformar uma proposta abstrata em diálogo real.

A Embaixada do Autistão em Brasília existe precisamente para permitir esse tipo de encontro: receber diplomatas, autoridades, representantes institucionais e pessoas de boa vontade, para apresentar a abordagem da Organização e construir pontes entre o mundo dos autistas e os países.

Nesse sentido, a visita do Adido Cultural do Irã foi um momento importante para a Organização e para a continuidade de seu trabalho internacional.

15. Perspectiva de continuidade do diálogo

Durante a reunião, o Adido Cultural manifestou interesse pela abordagem apresentada e pelas possibilidades de diálogo.

Ele também propôs que uma próxima reunião pudesse ocorrer na Embaixada do Irã. A Organização recebeu essa perspectiva com grande satisfação.

Essa possível continuidade poderia permitir apresentar de maneira mais completa a abordagem da Organização, aprofundar a reflexão sobre documentos nacionais relativos ao autismo, e identificar formas adequadas de participação, estudos, reuniões de trabalho ou pareceres internacionais.

O papel da Organização Diplomática do Autistão seria contribuir com uma perspectiva própria: uma perspectiva de autistas, internacional, não defectológica, centrada na acessibilidade e na melhoria das políticas públicas.

Essa lógica vale não apenas para o Irã, mas para qualquer país interessado em compreender melhor o autismo e desenvolver políticas públicas mais justas e mais adequadas.

16. Agradecimentos

A Organização Diplomática do Autistão agradece ao Sr. Ali Reza Mirjalili, Adido Cultural da Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil, por sua visita, sua atenção e seu interesse pela abordagem apresentada.

A Organização agradece também ao seu assistente, presente durante a reunião.

Este primeiro diálogo permitiu apresentar elementos importantes sobre autismo, acessibilidade, políticas públicas, planos nacionais e experiências concretas. Ele também abriu uma perspectiva positiva para novos momentos de diálogo institucional, estudo e contribuição.

A Organização Diplomática do Autistão espera que esse encontro possa contribuir para uma melhor compreensão do autismo e para políticas públicas mais acessíveis, mais justas e mais adequadas aos autistas, no Irã e em todos os países interessados em avançar nessa direção.

Comments are closed.